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Cervejaria Leuven

No mês de junho, em uma visita gastronômica e cervejeira à São Paulo, recebi da cervejaria Leuven – nome em homenagem à cidade de Leuven, na Bélgica – um Kit promocional contendo trêz de suas cervejas – Golden Ale, Red Ale e Dubbel – e um cálice com a logo da cervejaria.

A Cervejaria Leuven surgiu em 2010, em Piracicaba, mas a paixão de Alexandre Godoy – seu fundador – pela bebida alcoólica vem de berço. Seu bisavô produzia artesanalmente bebidas alcoólicas, principalmente
as destiladas. A paixão pelos fermentados, contudo, fez com que Alexandre buscasse mais conhecimento sobre o assunto e começasse a produzir sua própria cerveja.

Formado em Engenharia Agrônoma, estendeu seu conhecimento sobre cervejas na Escócia e assim pôde tonar seu hobby e experiências caseiras em profissão.

Segundo Alexandre, suas cervejas tem identidade própria e um estilo Leuven de ser – já que são autênticas e não seguem muito um padrão de característricas em guia de estilos, o que, para alguns, podem serconsiderado um “ultrage”.

Hoje a cervejaria comercializa as três cervejas que compunham o Kit. A considerada de combate é a Golden Ale: cerveja de cor dourado intenso,com aromas de malte, nunaces de mel, adocicado, frutado lembrando pêra, leve lúpúlo herbáceo. No paladar ela é cerveja super balanceada, com característiocas adocicadas de malte, frutado lembrando pêra e maçã, lúpulo herbaceo, amargor de médio à baixo e final seco, fazendo
o degustador querer mais um gole da cerveja, conjunto que torna a cerveja com um ótimo drinkability. Uma excelente cerveja e que agrada desde os iniciantes aos especilistas de plantão.

Uma cerveja com padrão para quem já esta se arriscando em cervejas mais complexas é a Red Ale. De cor âmbar, tem aromas doces de malte,caramelo, toffe, leve acidez e leve frutado. No paladar, uma cerveja de corpo médio, com notas de toffe, caramelo, levissmo frutado lembrando lichias, amargor de lúpulo, doce destacado e acidez de média a baixa. Em um primeiro momento achei estranha a acidez, por não ter sido destacada em nenhuma outra análise sensorial, mas, segundo Alexandre, a Red Ale tem uma leve acidez característica. Para garantir seu controle, todas suas cervejas passampor testes laboratorias antes de serem vendidas.

Já para os exigentes, a cervejaria Leuven oferece sua Dubbel, em garrafa de 750 ml arrolhada. No momento da degustação tive – pra variar – um belo duelo com a rolha, que estava com defeito. Contudo, tal fato já foi resolvido.
De cor âmbar, turva, traz no aroma malte, picante, cítrico, frutado lembrando pêra, laranja e leve fermento. No paladar, uma explosão de sabores trazendo malte, doce na medida, picante, leve condimento –
coentro, pimenta -, cítrico, pêra, laranja, álcool muito bem inserido, retrogosto levemente doce e seco. A meu ver, esta se encaixa mais em uma Tripel – e uma das melhores que já provei – e não para uma Dubbel , pela falta das características do maltes torrados e de frutas pretas. Mas como Alexandre mesmo disse, suas cervejassão estilo Leuven e com identidade própria. Suas cervejas estão muito
bem inseridas na sua proposta.
Leuven esta de parabéns e esperamos que suas próximas “crias” sejam tão igualmente boas ou melhores que as já existentes no mercado.

A ousadia contra o conservadorismo, quem ganha nesta?

Pegando a idéia do maluco do Zé Felipe – Wäls Cervejas Especiais – que resolveu colocar no Beer Day uma de suas melhores cervejas a prova , a Quadruppel, contra uma das maiores lendas do estilo, a La Trappe Quafrupel e por que estava com saudades da namorada fotografar meus pratos e fazer um bom jantar à ela. Mesmo que alguns conservacionistas irão contra a minha escolha – e de muitos outros – a ousadia da cerveja Wäls se saiu melhor, com maior complexidade de sabores e aromas, e com maior equilíbrio de sabor. Resolvi colocar em teste as outras duas preciosidades destas marcas, as do estilo Dubbel.

O estilo dubbel nasceu na Abadia Trapista de Watmalle em 1856 para diferenciar da tradicional Ale da dieta diária dos monges. Elas são cervejas fortes em presença de malte, sabor torrado lembrado nozes e chocolate, pouco lúpulo. No aroma pode-se enmcontrar banana e frutas não cítricas.

O teste de harmonização aconteceu da seguinte forma: costelinha suína barbecue no prato, uma cerveja em cada taça, – foram taças diferentes,  para fazer também um teste de copos, mas não entrarei em detalhes neste momento –  na Tulipa a Wäls e no Bolleke, a La Trappe. A costelinha por ser gordurosa e com sabor marcante pede uma cerveja mais encorpada e com sabores marcantes. Com a adição do molho barbecue, a carne acaba ganhando um sabor mais marcante e adocicado, combinando bem com o estilo escolhido.

Primeiro, verifiquei aromas e logo após sabores de cada uma. A La Trappe, mais torrada, boa presença de malte, mais carbonatada que o normal. Já no aroma um leve banana, fruta passas, leve fermento (?) e álcool bem presente. Na Wäls, podemos encontrar um leve sabor adocicado, torrado, frutas passas – uvas passas, já que elas vão na formulação da cerveja – álcool bem inserido, mais seca e mais corpo que a La Trappe. No aroma, já podemos encontrar torrado, malte, uva-passas e álcool. No teste de sabores, a Wäls se pareceu mais complexa e mais saborosa que a La Trappe.

Na harmonização, cada uma teve sua peculiaridade. A La Trappe, com seu sabor torrado, combinou muito bem com o sabor da carne e contrastou muito bem com o molho. Teve um bom corpo para aguentar o prato e com a leve carbonatação, fez uma leve limpeza no paladar, preparando-o para mais uma garfada. Já a Wäls, fez uma bela harmonização por semelhança, casando muito bem o doce do prato com o doce da cerveja, o torrado de ambas e teve um bom corpo para aguentar o prato. O único defeito – se podemos classificar assim – da Wäls, é que ela é mais seca e deixou um leve resíduo do conjunto, chegando ao final do prato com uma leve interferência nos sabores, tanto da cerveja como do prato.

Ao meu ver, as duas se saíram muito bem e cada uma com sua peculiaridade. O que quis aqui não foi fazer uma competição, mas sim mostrar que cervejas do mesmo estilo podem ter suas diferenças e mesmo assim uma qualidade ímpar. Isso mostra também, que o mundo da cerveja não tem preconceitos e está livre para ser descoberto, seja por leigos ou por bons formadores de opinião. E o(s) campeão(ões) fomos nós, que podemos ter uma excelente cerveja brasileira e ainda poder ter o privilégio de tomar cervejas tão cobiçadas lá fora.

Receita:

500g de costela de suína

1 cebola média

3 dentes de alho

azeite de oliva

1 xícara (chá) de ketchup

1/2 xícara (chá) de suco de limão

2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico

3 colheres (sopa) de açúcar mascavo

3 colheres (sopa) de molho inglês

sal  de pimenta-do-reino  a gosto

Modo de Preparo:

Em uma panela grande, coloque a costela para cozinhar  – com água e bastante sal  –  até que fique levemente macia.

Enquanto isso pique a cebola, o alho, refogue no azeite e junte o restante dos  ingredientes com uma xíxcara de água. Cozinhe até virar um molho encorpado.

Pré – aqueça o forno a 200º C.

Retire a costela da água e deixe esfriar. Acerte o sal e  “lambuze” a costela com o molho barbecue – pode ser com a mão mesmo, sem frescura alguma – e leve ao forno. Após 20 min, retire do forno e “lambuze” mais uma vez a carne – agora com um pincel de cozinha, senão irá se queimar – e leve mais uma vez ao forno. Após estar o molho caramelado e a carne macia, retire do forno e sirva imediatamente.

Pode acompanhar bata frita – no meu prato fiz um chips com batata-doce, já que a namorada adora – e arroz branco.

Fotos: Michele Meiato Xavier