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Archive for fevereiro \17\UTC 2011

A ousadia contra o conservadorismo, quem ganha nesta?

Pegando a idéia do maluco do Zé Felipe – Wäls Cervejas Especiais – que resolveu colocar no Beer Day uma de suas melhores cervejas a prova , a Quadruppel, contra uma das maiores lendas do estilo, a La Trappe Quafrupel e por que estava com saudades da namorada fotografar meus pratos e fazer um bom jantar à ela. Mesmo que alguns conservacionistas irão contra a minha escolha – e de muitos outros – a ousadia da cerveja Wäls se saiu melhor, com maior complexidade de sabores e aromas, e com maior equilíbrio de sabor. Resolvi colocar em teste as outras duas preciosidades destas marcas, as do estilo Dubbel.

O estilo dubbel nasceu na Abadia Trapista de Watmalle em 1856 para diferenciar da tradicional Ale da dieta diária dos monges. Elas são cervejas fortes em presença de malte, sabor torrado lembrado nozes e chocolate, pouco lúpulo. No aroma pode-se enmcontrar banana e frutas não cítricas.

O teste de harmonização aconteceu da seguinte forma: costelinha suína barbecue no prato, uma cerveja em cada taça, – foram taças diferentes,  para fazer também um teste de copos, mas não entrarei em detalhes neste momento –  na Tulipa a Wäls e no Bolleke, a La Trappe. A costelinha por ser gordurosa e com sabor marcante pede uma cerveja mais encorpada e com sabores marcantes. Com a adição do molho barbecue, a carne acaba ganhando um sabor mais marcante e adocicado, combinando bem com o estilo escolhido.

Primeiro, verifiquei aromas e logo após sabores de cada uma. A La Trappe, mais torrada, boa presença de malte, mais carbonatada que o normal. Já no aroma um leve banana, fruta passas, leve fermento (?) e álcool bem presente. Na Wäls, podemos encontrar um leve sabor adocicado, torrado, frutas passas – uvas passas, já que elas vão na formulação da cerveja – álcool bem inserido, mais seca e mais corpo que a La Trappe. No aroma, já podemos encontrar torrado, malte, uva-passas e álcool. No teste de sabores, a Wäls se pareceu mais complexa e mais saborosa que a La Trappe.

Na harmonização, cada uma teve sua peculiaridade. A La Trappe, com seu sabor torrado, combinou muito bem com o sabor da carne e contrastou muito bem com o molho. Teve um bom corpo para aguentar o prato e com a leve carbonatação, fez uma leve limpeza no paladar, preparando-o para mais uma garfada. Já a Wäls, fez uma bela harmonização por semelhança, casando muito bem o doce do prato com o doce da cerveja, o torrado de ambas e teve um bom corpo para aguentar o prato. O único defeito – se podemos classificar assim – da Wäls, é que ela é mais seca e deixou um leve resíduo do conjunto, chegando ao final do prato com uma leve interferência nos sabores, tanto da cerveja como do prato.

Ao meu ver, as duas se saíram muito bem e cada uma com sua peculiaridade. O que quis aqui não foi fazer uma competição, mas sim mostrar que cervejas do mesmo estilo podem ter suas diferenças e mesmo assim uma qualidade ímpar. Isso mostra também, que o mundo da cerveja não tem preconceitos e está livre para ser descoberto, seja por leigos ou por bons formadores de opinião. E o(s) campeão(ões) fomos nós, que podemos ter uma excelente cerveja brasileira e ainda poder ter o privilégio de tomar cervejas tão cobiçadas lá fora.

Receita:

500g de costela de suína

1 cebola média

3 dentes de alho

azeite de oliva

1 xícara (chá) de ketchup

1/2 xícara (chá) de suco de limão

2 colheres (sopa) de vinagre balsâmico

3 colheres (sopa) de açúcar mascavo

3 colheres (sopa) de molho inglês

sal  de pimenta-do-reino  a gosto

Modo de Preparo:

Em uma panela grande, coloque a costela para cozinhar  – com água e bastante sal  –  até que fique levemente macia.

Enquanto isso pique a cebola, o alho, refogue no azeite e junte o restante dos  ingredientes com uma xíxcara de água. Cozinhe até virar um molho encorpado.

Pré – aqueça o forno a 200º C.

Retire a costela da água e deixe esfriar. Acerte o sal e  “lambuze” a costela com o molho barbecue – pode ser com a mão mesmo, sem frescura alguma – e leve ao forno. Após 20 min, retire do forno e “lambuze” mais uma vez a carne – agora com um pincel de cozinha, senão irá se queimar – e leve mais uma vez ao forno. Após estar o molho caramelado e a carne macia, retire do forno e sirva imediatamente.

Pode acompanhar bata frita – no meu prato fiz um chips com batata-doce, já que a namorada adora – e arroz branco.

Fotos: Michele Meiato Xavier

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2º Beer Day

Entre amantes da não-enganação e formadores de opinião do meio cervejeiro, todos se salvaram – torrados pelo calor escaldante de Curitiba. Domingo de muito sol, calor e Rockabilly – com direito a tio barbudo, violino e contra-baixo – pede muita cerveja e conversa com amigos. E com esses chamarizes partimos para o 2º Brooklyn Beer Day, em Curitba.

Em meio a importadoras e cervejas de renome, as cervejarias paranaenses foram o grande destaque do encontro. Já haviam feito muito barulho no Festival Brasileiro da Cerveja e, em seu território, não poderiam fazer diferente – ainda mais com os grandes lançamentos. Mas os maiores destaques ficaram por conta da Hop Weiss, da Bodebrown: uma deliciosa e ousada weiss, com dry hopping de amarilo, trazendo maior refrescancia à cerveja e um singelo amargor a este estilo. Infelizmente não pude experimentar a  Graviola Barley Wine. Não pelo preço, mas por ter saído como água e dado um belo cala boca aos que reclamaram da ousadia.

Marcelo (Cervejas Gourmet) e as Diabinhas

A outra grande espera do evento foi o re-lançamento da Diabólica 6,66%: uma India Pale Ale .com blend de lúpulos e maltes. Desta vez mais redonda e saborosa que a primeira. O que mais chamou a atenção foi sua campanha de marketing, utilizando marmanjos bêbados, com suas diabinhas tiradoras oficiais de chopp, e casais amantes da cerveja, para serem os casais diabólicos. Por enquanto, só a encontraremos em chopp, mas em poucos meses estará na sua versão garrafa.

Não foram só as paranaenses que apareceram. Lá estava também a Wäls: como sempre com deliciosos chopps e o desafio de comparação do seu chopp Quadrupel  com o famoso La Trappe Quadrupel. Em minha singela opinião – e de varias outros – o quadrupel da Wals está muito mais complexo e redondo que o poderoso La Trappe. Também presente o colorado Indica, com dry-hopping, e as famosas Corujas.

Na parte do forra-estômago, o bolinho de bacalhau do Clube do Malte se mostrou soberano. Era o que mais se via nos pratos dos beberrões.

Tati e Botto

Além das cervejas, não poderiam faltar os amigos. O Beer Day mais parecia um encontro nerd movido à cerveja. Todos enlouquecidos no twitter, querendo conhecer seus seguidores e seguidos,  proporcionando muita conversa – sem aquela bobagem de picaretagem, Inri Cristo, etc. – e risadas.

Este encontro mostrou o verdadeiro motivo da cerveja estar em nossas vidas: amizade, boa conversa e muita felicidade. Nada daquela conversa ogra que estamos vendo no twitter, atacando um ao outro, mas sim com muita união e, principalmente, repassando seus conhecimento a quem não sabe – o mais importante para o desenvolvimento e estabilidade da cultura cervejeira.

Parabéns aos organizadores. Esperamos que novos festivais se criem e que possamos chegar aos calendários gringos, mostrando nosso potencial cervejeiro.

Fotos roubadas da @TatianaSiniXtra @cerveja_gourmet

Categorias:Cerveja