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Archive for agosto \04\UTC 2011

#IPAday

Para variar, os americanos estão fazendo história no mundo cervejeiro.
Uma ação blogueira, vários copos de cerveja e uma idéia genial fez com que o dia 4 de agosto se tornasse a comemoração da cerveja mais amadado mundo, a India Pale Ale. Mais conhecida como IPA, ela é o divisor de águas para quem esta começando ter a cerveja como sua paixão. Pelas características de elevado amargor, final seco e grau alcoólico alto, ela é do estilo, “ame ou odeie”. E, com certeza, ela é unânime nos copos de quem realmente aprecia uma boa cerveja.

O estilo India Pale Ale surgiu no século XVIII, em decorrência das viagens dos ingleses à Índia na busca de especiarias e a dominação do povo local. A cerveja era a única fonte de líquido potável e de poderem se refrescar no calor escaldante da Índia. Com a viagem longa, a cerveja não resistia e, então, não se tinha mais líquido potável e refrescante. Para que a cerveja suportasse este longo caminho, foram adicionados mais lúpulos para que se pudesse conservar a cerveja  – sim, o lúpulo é fonte natural de conservação. Além da dose elevada de lúpulos, o álcool também foi elevado, pois ele também é fonte de conservação na cerveja.

Mas há quem diga que esta história de viagens à Índia é tudo balela e que, na verdade, ela era somente uma cerveja que era acondicionada em barris de madeira por 120 dias e, por isso, eram adicionados mais lúpulos para que a cerveja se mantivesse longe de contaminações. O nome, foi só algo inovador e inteligente para se colocar em uma cerveja. #tenso

Se essas lendas e histórias são reais, não posso afirmar. Mas posso dizer, com certeza, que este é um dos estilos mais amados em todo o mundo e que, com certeza, ainda irá ganhar muitos admiradores.

E já que hoje é dia de comemoração, chame algum amigo que está começando a gostar de cervejas e apresente essa preciosidade de estilo. Mas lembre-se, este é um estilo que pode assustar muito, portanto, apresente as IPA’s mais sutis em amargor e, com o tempo, vá elevando a dose de lúpulo.

Já se você é daqueles nacionalistas que odeiam os americanos e europeus, vão algumas dicas de IPA”s da nossa terrinha:


Colorado INDICA:

Uma das mais irreverentes cervejarias nacional. Conhecida pela adição de produtos nacioniais, esta IPA leva rapadura em sua composição. Com notas carameladas, amendoadas e com dulçor mais elevado que as IPA´s “normais” é tida como uma das mais saborosas do mercado. O lúpulo americano traz notas florais e sabor cítrico a cerveja, dando mais complexidade sensorial.

 

 

Falke Bier Estrada Real IPA:

Em Minas Gerais a Instituição Estrada Real escolhe os melhores produtos locais para terem em seus rótulos a marca da instituição. A Falke Bier teve a honra de ter sua IPA escolhida. Com características das IPA’s inglesas, a Estrada Real traz para o degustador notas carameladas, leve tostado e lúpulos ingleses para o amargor.

 

 

 

   Diabólica 6,66%

Produzida em Curitiba, essa cerveja brinca com as crendices populares e traz para o seu rótulo o número da besta. Cerveja com sabor caramelado, leve defumado, final adstringente e amargor elevado. O 6,66% era só uma brincadeira, hoje a graduação alcoólica chega a esse número. Antes ela tinha produção restrita caseira, mas com a ajuda de uma cervejaria local ganhou espaço no mercado.

 

 

 

 

 

Season GREEN COW:

Cervejaria de Porto Alegre, surgiu da paixão de um nerd apaixonado por cerveja. Com a idéia de fazer cervejas inovadores e trazer o espírito de criação home brew para as suas cervejas.

Uma das melhores IPA’s que pude experimentar. Com lúpulo em profusão pode chegar assustar os desavisados. Mas com os toques caramelos, cítricos e herbáceos tornam a cervejas extremamente equilibrada e sempre com a vontade de beber mais.

Ela era vendida somente em chopp para o Rio Grande do Sul, agora ela foi engarrafada teremos a sorte de ter essa cerveja em nossas casas e bares de todo Brasil.

 

 

 


Bodebrown PERIGOSA IMPERIAl IPA:

Vá atrás desta cerveja e descubra o que é o intenso amargor. Com a adição de lúpulos americanos, traz um sabor frutado e cítrico para a cerveja e tudo isso aliado aos sabores caramelados e tostados do lúpulo. Uma cerveja deliciosa e feita para quem gosta do bom e velho lúpulo.

 

 

 

 

 

 

 

Caso queira harmonizar estas precisosidas elas acompanham muito bem queijos gordurosos e condimentados, atum, carnes de caça como cordeiro, avestruz e para os mais corajosos comidas  apimentadas. Bom #IPAday e comemore esse dia com pelo menos um bom copo de uma IPA. SAÚDE!!!

Vivre pour Vivre: a #AlmaBrasileira

Como muitos já devem ter lido e acompanhado, eu e a namorada passamos uma semana na “Meca Brasileira da cerveja” – aka Minas Gerais. Além de visitas aos melhores pontos cervejeiros, como a Wäls Cervejas Especiais, falecido Frei Tuck e Rima dos Sabores – em breve harmonização dirigida com pratos meus e do chef da casa, Juliano -, tivemos o privilégio de conhecer a Cervejaria Falke Bier.

Com uma degustação/harmonização direcionada por Marco Falcone, pudemos experimentar as mais belas combinações de suas cervejas com queijos, como, por exemplo: Falke Pilsen com queijo Minas – o verdadeiro, não aquele soro que compramos no mercado -; Estrada Real IPA com queijo Estepe – excelente -; Falke Ouro Preto com Gorgonzola – uma das sensações mais extraordinárias que já tive -; e Monasterium com queijo Brie e Damascos – sensacional. Além destas, tivemos o prazer de experimentar as novas Diamantina – Bohemia Pilsner -, Villa Rica – Dry Stout – e Estrada Real Weiss.

Após toda essa degustação, ainda tivemos o prazer de degustar a aclamada Vivre pour Vivre. Provamos o primeiro Lote, que saiu antes do lançamento na Brasil Brau – maior feira de tecnologia cervejeira do país.

A Vivre é uma cerveja que nasceu do erro de uma das mais especiais cervejas brasileira: a Falke Monasterium. A partir de um feedback de clientes, constataram que a cerveja havia sido contaminada por bactérias lácteas, deixando-a com acidez elevada. Ao constatar tal problema, foi retirada do mercado e ficou maturando por mais três anos. Em seguida, feitos testes de segunda fermentação com diversas frutas, mas buscando algo diferente de tudo que temos em  fruit beer’s. Ao final, a fruta escolhida foi a brasileiríssima jaboticaba. Com a adição dessa fruta, foi criada uma Sour Ale/Fruit Beer – cervejas de caráter ácido e forte característica de fermentação no sabor e aroma – com 4,5% ABV.

A Vivre pour Vivre – leva este nome em homenagem ao filme de Claude Lelouch – é uma das cervejas mais facinantes que pude experimentar até agora. Com características da cerveja base – tripel – e a junção da fruta criou algo jamais sentido em nosso paladar, até mesmo para os mais treinados. Isso acontece em razão de algumas pessoas não terem a memória gustativa da jaboticaba ou, principalmente, da própria Monasterium. Uma cerveja muito refrescante, com um ótimo e constante perlage. No aroma pode-se sentir notas de laranja, coentro, leve lúpulo, acidez, jaboticaba (claro), mel e fermento. No paladar, as notas encontradas no aroma se intensificam, aliadas a um corpo médio e carbonatação alta. Simplesmente uma cerveja espetacular e uma das melhores que temos hoje no mercado brasileiro. Essa cerveja foi harmonizada com a música tema do filme e a companhia de amigos.

Mas nem tudo são rosas. Ao ser lançada em julho, na Brasil Brau, a cerveja assustou – para alguns, não para mim que fui saber o porquê do preço – com, nada mais nada menos, que R$200,00. Como sempre tiveram reclamações de que era muito para uma cerveja brasileira – vamos parar com o preconceito de que o que é nacional deve ser barato – e outros tantos #mimimi’s.

A quem interesse, irei explicar aqui, parcialmente, o porquê de esta cerveja estar a esse preço:

Por estarem trabalhando com bactérias lácteas – bactérias que estão no ar e se espalham com facilidade no ambiente – e, portanto, não são bem vindas em qualquer outra cerveja, a fabrica foi fechada por cerca 15 dias – nenhuma cerveja é produzida durante isso – para engarrafar e fazer assepsia de todo lo local, garantindo que não haveriam contaminações posteriores. Antes mesmo de se adicionar a fruta, a cerveja tem como base uma cerveja de alto custo e que ficou parada na cervejaria por TRÊS anos em ambiente climatizado. Ou seja, tem-se um produto engessado e que não trará lucro nenhum para a cervejaria por longo período. Além disso, 60% de toda produção da Vivre foi descartada, isso tudo por ter a existência de taninos na fruta e não serem bem vindos em uma cerveja.

Além de todos esses percalços, a cerveja tem somente 6 meses de validade. Isso decorre da estabilidade da cerveja, que traz turvidez e mudança de cor com o passar do tempo. Ao estabelecer uma data de validade tão curta, para uma cerveja tão complexa e especial, os desavisados poderão achar que esta cerveja esta estragada e acabar por ficarem paradas nas gôndolas das casas especializadas.

Não saberemos se esta cerveja irá ser produzida novamente. Mas se for, serão quatro longuíssimos anos que deveremos esperar. Para quem ficou curioso e tem muita vontade de experimentar, a Mamãe Bebidas ainda tem algumas poucas garrafas. Mas, antes de comprar, pergunte-se: “valerá muito comprar essa cerveja?” Eu digo que sim. Se sua resposta for não, junte-se com quatro amigos e divida uma das 7 maravilhas cervejeiras que temos no Mundo. Uma boa cerveja sempre deve ser divida com um amigo ou alguém especial.

Fotos de Michele M. Xavier

Cervejaria Leuven

No mês de junho, em uma visita gastronômica e cervejeira à São Paulo, recebi da cervejaria Leuven – nome em homenagem à cidade de Leuven, na Bélgica – um Kit promocional contendo trêz de suas cervejas – Golden Ale, Red Ale e Dubbel – e um cálice com a logo da cervejaria.

A Cervejaria Leuven surgiu em 2010, em Piracicaba, mas a paixão de Alexandre Godoy – seu fundador – pela bebida alcoólica vem de berço. Seu bisavô produzia artesanalmente bebidas alcoólicas, principalmente
as destiladas. A paixão pelos fermentados, contudo, fez com que Alexandre buscasse mais conhecimento sobre o assunto e começasse a produzir sua própria cerveja.

Formado em Engenharia Agrônoma, estendeu seu conhecimento sobre cervejas na Escócia e assim pôde tonar seu hobby e experiências caseiras em profissão.

Segundo Alexandre, suas cervejas tem identidade própria e um estilo Leuven de ser – já que são autênticas e não seguem muito um padrão de característricas em guia de estilos, o que, para alguns, podem serconsiderado um “ultrage”.

Hoje a cervejaria comercializa as três cervejas que compunham o Kit. A considerada de combate é a Golden Ale: cerveja de cor dourado intenso,com aromas de malte, nunaces de mel, adocicado, frutado lembrando pêra, leve lúpúlo herbáceo. No paladar ela é cerveja super balanceada, com característiocas adocicadas de malte, frutado lembrando pêra e maçã, lúpulo herbaceo, amargor de médio à baixo e final seco, fazendo
o degustador querer mais um gole da cerveja, conjunto que torna a cerveja com um ótimo drinkability. Uma excelente cerveja e que agrada desde os iniciantes aos especilistas de plantão.

Uma cerveja com padrão para quem já esta se arriscando em cervejas mais complexas é a Red Ale. De cor âmbar, tem aromas doces de malte,caramelo, toffe, leve acidez e leve frutado. No paladar, uma cerveja de corpo médio, com notas de toffe, caramelo, levissmo frutado lembrando lichias, amargor de lúpulo, doce destacado e acidez de média a baixa. Em um primeiro momento achei estranha a acidez, por não ter sido destacada em nenhuma outra análise sensorial, mas, segundo Alexandre, a Red Ale tem uma leve acidez característica. Para garantir seu controle, todas suas cervejas passampor testes laboratorias antes de serem vendidas.

Já para os exigentes, a cervejaria Leuven oferece sua Dubbel, em garrafa de 750 ml arrolhada. No momento da degustação tive – pra variar – um belo duelo com a rolha, que estava com defeito. Contudo, tal fato já foi resolvido.
De cor âmbar, turva, traz no aroma malte, picante, cítrico, frutado lembrando pêra, laranja e leve fermento. No paladar, uma explosão de sabores trazendo malte, doce na medida, picante, leve condimento –
coentro, pimenta -, cítrico, pêra, laranja, álcool muito bem inserido, retrogosto levemente doce e seco. A meu ver, esta se encaixa mais em uma Tripel – e uma das melhores que já provei – e não para uma Dubbel , pela falta das características do maltes torrados e de frutas pretas. Mas como Alexandre mesmo disse, suas cervejassão estilo Leuven e com identidade própria. Suas cervejas estão muito
bem inseridas na sua proposta.
Leuven esta de parabéns e esperamos que suas próximas “crias” sejam tão igualmente boas ou melhores que as já existentes no mercado.