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Harmonização – Bodebrown cerveja do amor e polvo crocante com batata doce confit

Depois de perder seu primeiro lote e de ter ela furtada, consegui experimentar a sazonal Bodebrown Cerveja do Amor, uma Fruit beer , com 5,5% abv – a degustada com 8,8% abv, que teve sua graduação alcoólica aumentada para aguentar a viagem até o Mondial de La Bière -, que leva como base uma cerveja de trigo e possui adição de amoras maceradas.

Samuel Cavalcante – mestre cervejeiro e proprietário da Cervejaria – se inspirou para fazer essa Cerveja do Amor em uma das obras do poeta romano Ovídio, chamada  Metamorfoses, que fala sobre a metamorfose dos deuses da mitologia grega para sobreviverem à cronologia do amor – desde a paixão, o desejo, até seu fim.

E toda essa cronologia parece estar bem inserida na cerveja. Ao servi-la, você é contemplado por um líquido de cor avermelhada que se destaca no copo, finalizada por uma espuma branca e persistente. No aroma, em evidência há as notas da fruta – quanto mais nova a cerveja, maior é a percepção das frutas – além de leves condimentos próprios da cerveja base e levíssima acidez. Já na boca, amora, leve cravo, coentro, notas leves de lúpulo herbáceo e acidez sutíl.

Para finalizar aquela cronologia – mas aqui com final feliz -, harmonizei-a com um Polvo Crocante com Batata Doce ConfitadaGrelhado em azeite de pimentão e páprica, o polvo pedia uma cerveja que balanciasse o condimentado da preparação. E o dulçor da cerveja fez bem esse trabalho, além de muito bem combinar com a característica doce da batata. Como há uma leve acidez na cerveja, os condimentos – tanto da cerveja como do polvo – acabaram ficando ainda mais aparentes, trazendo uma sensação picante na boca e, ao mesmo tempo, um leve dulçor. O álcool cortou bem a média gordura do polvo e da batata confit, garantindo mais percepção das características da cerveja e do prato.

Aproveitem a receita e harmonizem com muito amor – de preferência com alguém que você ame, como fiz.

RECEITA:

Polvo:

4 tentáculos de polvo

1 batata doce grande

cravo

Cebola

1 limão

shoyu

Azeite:

1 colher de sopa de páprica picante

1 pimentão vermelho pequeno

200 ml de azeite de oliva

Batatas:

1 bastata doce grande sem casca

alecrim

q.b sal grosso

azeite de oliva

Preparo:

Polvo:

Antes de cozinhar o polvo, congele-o de um dia para o outro – isso ajudará a deixar a carne mais macia. Descongele-o e leve para cozinhar com a cebola, o limão, o cravo e um pouco de shoyu, por aproximadamente 1 hora – a acidez dos ingredientes irá ajudar a deixar a carne macia, sem precisar levar à panela de pressão.

Dica: caso compre o polvo limpo, mas ainda com resíduos de tinta nas patas, esfregue o polvo com sal e bastante água. Isso ajudará também a tirar aquela “secreção” que fica ao redor de seu corpo.

Batatas:

Corte as batatas em rodelas, cubra com azeite e tempere com sal grosso e alecrim. Leve ao forno na temperatura mais baixa e asse até que fiquem macias e levemente douradas

Azeite:

Esquente um frigideira e grelhe o pimentão – sem sementes – com uma colher de páprica. Quando começar a dourar, retire do fogo e bata no liquidificador. Peneire e reserve.

Polvo crocante:

Tempere o polvo com sal e pimenta do reino. Aqueça bem uma frigideira, coloque um fio do azeite de pimentão e páprica e grelhe o polvo. Enquanto o polvo grelha, aperte-o com um peso – pode ser a tampa de uma panela. Repita o mesmo processo do outro lado – esse processo ajudara a criar uma leve crocância na pele do polvo, deixando a parte interna macia e suculenta.

Fotos de Michele Meiato Xavier.

Vivre pour Vivre: a #AlmaBrasileira

Como muitos já devem ter lido e acompanhado, eu e a namorada passamos uma semana na “Meca Brasileira da cerveja” – aka Minas Gerais. Além de visitas aos melhores pontos cervejeiros, como a Wäls Cervejas Especiais, falecido Frei Tuck e Rima dos Sabores – em breve harmonização dirigida com pratos meus e do chef da casa, Juliano -, tivemos o privilégio de conhecer a Cervejaria Falke Bier.

Com uma degustação/harmonização direcionada por Marco Falcone, pudemos experimentar as mais belas combinações de suas cervejas com queijos, como, por exemplo: Falke Pilsen com queijo Minas – o verdadeiro, não aquele soro que compramos no mercado -; Estrada Real IPA com queijo Estepe – excelente -; Falke Ouro Preto com Gorgonzola – uma das sensações mais extraordinárias que já tive -; e Monasterium com queijo Brie e Damascos – sensacional. Além destas, tivemos o prazer de experimentar as novas Diamantina – Bohemia Pilsner -, Villa Rica – Dry Stout – e Estrada Real Weiss.

Após toda essa degustação, ainda tivemos o prazer de degustar a aclamada Vivre pour Vivre. Provamos o primeiro Lote, que saiu antes do lançamento na Brasil Brau – maior feira de tecnologia cervejeira do país.

A Vivre é uma cerveja que nasceu do erro de uma das mais especiais cervejas brasileira: a Falke Monasterium. A partir de um feedback de clientes, constataram que a cerveja havia sido contaminada por bactérias lácteas, deixando-a com acidez elevada. Ao constatar tal problema, foi retirada do mercado e ficou maturando por mais três anos. Em seguida, feitos testes de segunda fermentação com diversas frutas, mas buscando algo diferente de tudo que temos em  fruit beer’s. Ao final, a fruta escolhida foi a brasileiríssima jaboticaba. Com a adição dessa fruta, foi criada uma Sour Ale/Fruit Beer – cervejas de caráter ácido e forte característica de fermentação no sabor e aroma – com 4,5% ABV.

A Vivre pour Vivre – leva este nome em homenagem ao filme de Claude Lelouch – é uma das cervejas mais facinantes que pude experimentar até agora. Com características da cerveja base – tripel – e a junção da fruta criou algo jamais sentido em nosso paladar, até mesmo para os mais treinados. Isso acontece em razão de algumas pessoas não terem a memória gustativa da jaboticaba ou, principalmente, da própria Monasterium. Uma cerveja muito refrescante, com um ótimo e constante perlage. No aroma pode-se sentir notas de laranja, coentro, leve lúpulo, acidez, jaboticaba (claro), mel e fermento. No paladar, as notas encontradas no aroma se intensificam, aliadas a um corpo médio e carbonatação alta. Simplesmente uma cerveja espetacular e uma das melhores que temos hoje no mercado brasileiro. Essa cerveja foi harmonizada com a música tema do filme e a companhia de amigos.

Mas nem tudo são rosas. Ao ser lançada em julho, na Brasil Brau, a cerveja assustou – para alguns, não para mim que fui saber o porquê do preço – com, nada mais nada menos, que R$200,00. Como sempre tiveram reclamações de que era muito para uma cerveja brasileira – vamos parar com o preconceito de que o que é nacional deve ser barato – e outros tantos #mimimi’s.

A quem interesse, irei explicar aqui, parcialmente, o porquê de esta cerveja estar a esse preço:

Por estarem trabalhando com bactérias lácteas – bactérias que estão no ar e se espalham com facilidade no ambiente – e, portanto, não são bem vindas em qualquer outra cerveja, a fabrica foi fechada por cerca 15 dias – nenhuma cerveja é produzida durante isso – para engarrafar e fazer assepsia de todo lo local, garantindo que não haveriam contaminações posteriores. Antes mesmo de se adicionar a fruta, a cerveja tem como base uma cerveja de alto custo e que ficou parada na cervejaria por TRÊS anos em ambiente climatizado. Ou seja, tem-se um produto engessado e que não trará lucro nenhum para a cervejaria por longo período. Além disso, 60% de toda produção da Vivre foi descartada, isso tudo por ter a existência de taninos na fruta e não serem bem vindos em uma cerveja.

Além de todos esses percalços, a cerveja tem somente 6 meses de validade. Isso decorre da estabilidade da cerveja, que traz turvidez e mudança de cor com o passar do tempo. Ao estabelecer uma data de validade tão curta, para uma cerveja tão complexa e especial, os desavisados poderão achar que esta cerveja esta estragada e acabar por ficarem paradas nas gôndolas das casas especializadas.

Não saberemos se esta cerveja irá ser produzida novamente. Mas se for, serão quatro longuíssimos anos que deveremos esperar. Para quem ficou curioso e tem muita vontade de experimentar, a Mamãe Bebidas ainda tem algumas poucas garrafas. Mas, antes de comprar, pergunte-se: “valerá muito comprar essa cerveja?” Eu digo que sim. Se sua resposta for não, junte-se com quatro amigos e divida uma das 7 maravilhas cervejeiras que temos no Mundo. Uma boa cerveja sempre deve ser divida com um amigo ou alguém especial.

Fotos de Michele M. Xavier