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Harmonia Caseira: Strudel de Pêra caramelisada com Mel e BierLikör e Oicle DoppelBock

E a batalha para uma cultura cervejeira no Brasil continua. Desta vez, começo aqui a seção “Harmonia Caseira”: uma mescla da melhor comida de todas – a caseira – e uma das formas mais democráticas de se fazer cerveja, em casa.

Esta seção tem o intuito de divulgar os cervejeiros caseiros, que no Brasil, infelizmente, são pouco valorizados; mostrar a diversidade da criatividade e enfatizar que, mesmo sendo produzida em casa, com pouca acessibilidade de produtos e tecnologias, podem sair cervejas e estilos jamais vistos.

Este ritual do cervejeiro caseiro acontece desde a antiguidade, mas quem comandava as panelas na época eram as mulheres. Elas tinham o dever de produzir cerveja para a alimentação da família – sim, você leu bem, ALIMENTAÇÃO -, já que é uma bebida rica em vitaminas e proteínas.

Após muito tempo esta função passou para os homens, mais especificamente aos padres, em Mosteiros por todo o mundo. Com eles a disseminação da cultura cervejeira e a melhoria da bebida foram as chaves para o que hoje conhecemos da cerveja (isso antes do mercado de massa acabar com elas).

Depois de tantos anos esquecida, a cultura de se fazer a bebida em casa voltou. E um dos grandes princípios desta prática é: se não tenho bebida boa no mercado, faço a minha própria cerveja. E com esse pensamento a pratica foi ganhando cada vez mais adeptos e hoje é uma grande modinha mania mundial.

No Brasil, a cultura de cerveja caseira é curta – como já postado aqui -, mas a cada ano o crescimento anda a galopes. E o preconceito não tem mais vez nessa ritual: as mulheres voltam as suas origens e ganham o respeito merecido em meio a tanto marmanjo.

Voltando para a seção iniciada neste blog, o intuito é mostrar que se pode fazer a própria cerveja em casa, com a valorização e maestria das grandes bebidas.

O primeiro a participar desta seção é o cervejeiro Elcio Martins, aka.Cervejaria Oicle, aqui mesmo de Florianópolis e que se apaixonou pela arte há poucos anos, desde 27/12/2008 (data em que inicou a produção de sua primeira cerveja).

Ele conta que começou a fabricar sua própria cerveja após uma conversa com um amigo do Paraná, o qual comentou que o sogro fazia a própria cerveja em casa. A curiosidade falou mais alto e, a partir disso, foi atrás de cursos de especialização em cerveja.

Elcio relata: “Passei a ler muito e fui fazer um curso no Rio e no dia 27/12/2008 fiz a minha primeira cerveja, que ficou horrivel.” Ele não se deixou abalar. Sua próxima brassagem foi para um concurso no Rio de Janeiro e acabou levando o prêmio no estilo livre, com uma Stout.

Já foi muito interessado por vinho, mas sua paixão hoje é pela cerveja e, por essa paixão, doou dois exemplares de suas cervejas – uma Red Ale, que ficará para outra oportunidade, e uma Doppelbock -, sendo que a segunda tive o prazer de abrir e harmonizar, sempre com a ótima companhia da namorada/esposa e fotógrafa do blog, neste último feriado.

O líquido precioso foi muito bem com um Strudel de pêra caramelada com mel e BierLikör. Para muitos pode parecer estranho essa combinação, mas como estamos falando de cerveja caseira, o cervejeiro pode dar o toque que quiser na bebida.

A Doppelbock geralmente é uma cerveja mais forte, com bastante presença de malte, sabores achocolatados e tostados. Sua graduação alcoólica é sempre muito elevada: sempre na faixa dos 10% ABV.
Já o exemplar doado tem notas mais amadeiradas, carameladas, bastante presença de malte, leve álcool (que fica mais presente e redondo com o doce do strudel) e quase nada de amargor. Apesar da presença de álcool no sabor, ela tem somente 7,9% ABV, quase uma bock normal.

Pelas suas características, combinou muito bem com o Strudel, principalmente por levar mel, já que complexidade de seu sabor se encaixa muito bem com a força do malte e caramelado presente na cerveja.
A leve presença do BierLikör – licor de cerveja – bate bem com o leve corpo licoroso da cerveja e até mesmo com as notas leves de madeira e chocolate, presentes nas duas bebidas. Os ingredientes usados nesta cerveja foram Malte: pilsner, vienna, munich, caraaroma e melanoidina Lupulo: Hallertauer e Saaz Fermento: S-23

E é com esta bela Doppelbock, de cor marrom avermelhada, com os marcantes sabores já descritos aqui, que inicio esta batalha cervejeira.
E como o intuito é mostrar comida fácil, mostro que este Strudel, apesar de parecer complexo, é muito simples.

Receita:
Ingredientes:
300g de massa folhada
3 Pêras grandes
200ml de mel
75ml de BierLikör (pode trocar por conhaque)
½ limão siciliano
Q.B Uvas passas
Q.B Farinha de rosca
Q.B Castanha de Caju triturada
Q.B Canela em pó
Preparo:
Corte as pêras em lâminas finas. Esquente uma frigideir. Derreta o mel. Junte a pêra e o BierLikör. O líquido da pêra ira se soltar. Junte o suco de meio limão siciliano e deixe cozinhar até a pêra absorver todo o suco de volta e dar uma leve caramelizada.
Reserve a pêra e deixe esfriar.

Abra a massa folhada, espalhe um pouco de farinha de rosca no centro e largura da massa.

Espalhe a pêra já fria, a castanha, canela e a uva passa.
Feche a massa, dê uns pequenos cortes nela e pincele gema na parte de cima;
Leve ao forno a 200C° por 35 a 40 min.
Pode servir com sorvete de creme ou chantilly

Fotos by @MicMX