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Archive for the ‘Home Brewer’ Category

Alma brasileira

Ao acordar hoje, vejo o alvoroço sobre a reportagem do caderno PALADAR, do jornal ESTADÃO, intutulada como “A busca do DNA prório”. Texto muito interessante sobre as cervejas brasileiras e, principalmente, a busca de uma identidade da cultura cervejeira no país.
Mas alguns argumentos, dizendo que não temos uma identidade cervejeira, deixaram-me intrigado, principalmente por ser gastrônomo e observar o quanto o país lutou para ter reconhecida sua cultura gastronômica, especialmente no que tange à utilização de nossa vasta flora e fauna.

O Brasil é um dos países com a maior diversidade na fauna e flora, principalmente na Amazônia, que, com mais de 2 milhões de Km2, estende-se até a Bolívia. Nossos ancestrais criaram técnicas de cultivo e cocção que nenhum outro país viu igual.

Há cerca de 8 anos, o chef Alex Atalla – hoje 7° melhor chef do Mundo -, quando em retorno ao Brasil, percebeu que a cultura tipicamente brasileira na gastronomia foi esquecida. Aliou, então, a vasta gama de produtos existentes no país com as técnicas francesas – sem esquecer das daquelas tipicamente brasileiras – e com isso criou o chamado “DNA da cultura gastronômica brasileira”.

Muitos poderão se perguntar: “mas ele só pegou ingredientes brasileiros e colocou em técnicas já existentes, como pode dizer que criou um DNA brasileiro?”. Simples, ele novamente trouxe os produtos brasileiros à tona, mostrando o país com diversidade cultural gastronômica que pode ser. Usou métodos criados por nós, como o barreado e o biaribu – método de cozimento em brasa, com o alimento enrolado por folhas de árvores -, mostrando que muitas das técnicas usadas são tipicamente brasileiras.

Tendo em conta esse histórico gastronômico sobre o Atalla, percebo que a cerveja está – e assim deve – tomando o mesmo rumo. Na reportagem do caderno PALADAR, o cervejeiro Bazzo, da Bamberg, diz que não há ninguém criando nada novo no país, apenas cópias, por isso a completa ausência de uma genética brasileira.

Então me pergunto: o país precisa ser extremamente inovador para ter uma genética? Se somos guiados por tabelas de estilos e, fora disso, a cerveja é desconsiderada, como falar em inovação?

Meses atrás, uma falculdade mineira pegou leveduras de cachaça, estudaram-na e viram que poderia fermentar cerveja. Mudaram alguns genes, colocaram-na para se adaptar com a fermentação da cerveja e a utilizaram em uma cerveja do tipo Weiss – cerveja de trigo. Ao fermentar, obtiveram uma cerveja totalmente diferente das Weiss comuns, com aromas de maçã verde, um pouco mais alcoólica que o normal e com toques de outras especiarias além do cravo.

No momento que mostraram isso aos cervejeiros, ataques e mais ataques foram lançados, dizendo que não era uma weiss, que maçã verde é um defeito na cerveja, que as especiarias não eram bem vindas no estilo. Pois bem, como querem que exista uma identidade brasileira, se os próprios cervejeiros daqui só se guiam por características e estilos já existentes? Por que essa não poderia ser uma Brasil Weiss?

A reportagem também trouxe a afirmação que uma das poucas novas escolas hoje existente se encontra na Itália, com material realmente novo. Mas, como pode ser considerado novo aquilo que há milhões de anos os cervejeiros já utilizavam, como cascas de árvores, especiarias e frutas? O que há de realmente novo nisso? Aparentemente, nada. Mas souberam fazê-lo com criatividade e com o melhor modo de usar tais elementos.

Outros ainda disseram que o que temos que nos preocupar, em primeiro lugar, é em fazer cerveja de qualidade antes de querer inovar. Até concordo, mas nos países que já se tem uma identidade cervejeira, pode se dizer que só há cerveja de qualidade e extremamente boa? Até onde saiba, existem muitas cervejas intragáveis por aí, que só se tornaram boas com a publicidade e marketing.

Temos hoje cervejeiros excelentes que usam métodos antigos de se fazer cerveja, com ingredientes nossos e criando, sim, a identidade brasileira. Afinal, porque colocando uma fruta nativa, ou até mesmo raízes e especiarias nossas, não poderia ser o início da identidade brasileira da cerveja? Quem limitou que a criação de uma nova identidade – ou criação de uma identidade, já que o país parece nunca ter tido uma nitidamente marcada -, precisa ser algo nunca antes utilizado? Não seria possível inovar ao adaptá-lo ou reinseri-lo?

Reitero: o Brasil esta criando, sim, uma identidade cervejeira. Podemos observar pelo Concurso da ACerva Mineira, por exemplo, quando incentivaram a criação da escola mineira. O ganhador daquele concurso foi Humberto Ribeiro, – cervejaria Jambreiro – que criou uma cerveja com doce de leite e especiarias do cerrado. Quer algo mais brasileiro e mineiro que isso?

Outros exemplos:

Imagem retirada site brejas

Marcos Falcone, da microcervejaria Falke Bier, ao ter uma leva de uma de suas cervejas contaminada com bactéria láctea, resolveu inserir jabuticaba em seus produtos e assim criou a ‘Vivre pour Vivre’, uma fruit bier muito parecida com as Lambics. E quem ousa dizer que isso não está certo ou não é brasileiro?

Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, ousou colocando a ‘alma’ brasileira em suas cervejas, apresentando ao mundo o que é possível fazer com a rapadura e nosso café de qualidade. Além disso, mostrou que também podemos ter a nossa cerveja ao se inserir na bebida fermentada a mandioca. E isso não é brasileiro?

Dado bier, a primeira microcervejaria do Brasil, ao colocar a erva-mate na cerveja, trouxe junto toda a cultura do povo sulista e mesclou duas das bebidas mais consumidas naquela região: o chimarrão e a cerveja.

Cervejaria Way, de Curtiba. Criou uma cerveja Lager com cacterísticas de Ale. Como isso? Colocando em barris de madeira nativa. Eis que surgiu a Umburana Lager, uma das Lagers mais deliciosas que já provei.

Eis, então, nosso DNA cervejeiro.

Há tantos outros exemplos que poderia escrever um livro aqui, visto a quandidade de cervejas TIPICAMENTE BRASILEIRAS encontradas no mercado e na cabeça dos nossos cervejeiros, sejam eles profissionais ou caseiros. O que temos que buscar agora é incrementar nossas técnicas e trazer isso para a cerveja. Nem que seja mastigando malte para que fermente com a nossa saliva, já que era assim que nossos índios faziam seus fermentados com sementes e raizes.

Esses métodos e ingredientes só serão bem vistos o momento que o brasileiro se libertar do costume de outros países e começar a criar seu próprio conceito. Por isso sou a favor de Samuel “Bodebrown” quando ele diz: “Não à Reinheitsgebot”. Ao encontro disso, observa-se que muitos usam a “Lei da Pureza” como subterfugio de venda, ou seja, como parâmetro de qualidade, muito embora desconheçam o real significado daquela “Lei”. Belos exemplos de que cerveja boa se faz com criatividade e ousadia são as escolas belga e americana. Fugiram da “Lei da Pureza” e fizeram criações geniais.

Podemos estar copiando, se isso significa seguir as técnicas internacionais, mas, com certeza, estamos colocando nosso alma dentro da cerveja e assim fazendo nascer uma cultura cervejeira nacional. Já dizia Sam Calagione “o terroir da cerveja é a alma do cervejeiro”.

Simplesmente reproduzir estilos não transformará a cultura cervejeira brasileira, apenas mostrará o que tem pelo mundo. Portanto, é chegada a hora de se criar um DNA cervejeiro nacional, nem que seja colocando “frutinhas” dentro da cerveja, mostrando que nosso terroir é gigantesco e pode influenciar, e muito, nossas cervejas. Mas só teremos mesmo uma identidade da cerveja brasileira no momento que todos nos juntarmos e fizermos algo realmente de bom e não somente o que vemos hoje em dia. Não ficar achando defeitos na cerveja dos outros ou criticando o pensamento alheio pelo simples prazer de fazê-lo. Os pensamentos e as vontades são interamente diferentes, já a vontade é uma só: a cerveja! Ou vocês acham que em outros países todos pensam igualmente?

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A Bodebrown irá acabar com o nosso frio

O frio chegou e tem muita gente fazendo #mimimi por ai. Então parem de reclamar e procurem um dos bares que estarão  recebendo a aclamada @bodebrown Perigosa Imperial Milk Stout com seus deliciosos 14,5% ABV para esquentar esse inverno.

A Bodebrown fica situada na cidade de Curitiba. Além de nos trazer maravilhosas – e revolucionárias – cervejas, é ainda a primeira cervejaria escola do país, onde todos os meses lecionam cursos de Home Brew (Cervejeiro Caseiro). Além disso, hoje tem parceria com um especialista em micro biologia onde estão realizando com leveduras cervejeiras e assim podem dar o que chamam de “DNA cervejeiro”. Com hoje muitos usam somente um tipo de levedura, – muitas vezes seca – esse novo programa de leveduras vamos poder tornar as cervejeiras brasileiras diferenciadas, já que o que se faz cerveja é a levedura e não o cervejeiro.

Mais uma vez, de forma ousada e polêmica, a Bodebrowen nos contempla com mais uma de suas experiências cervejeiras. dessas vez é uma Imperial Milk Stout, com deliciosos – e inusitados – 14,5% ABV. O estilo surgiu na Inglaterra onde um cervejeiro resolveu usar a lactose – açucar do leite – como fonte de açúcar para trazer dulçor a cerveja. A lactose acabam proporcionando dulçor, cremosidade e consequentemente mais álcool à cerveja. Hoje, muitas cervejarias usam o termo Sweet Stout para nomear as cervejas neste estilo, já que o termo Milk Stout foi proibido na Inglaterra. Mas como a cervejaria sempre resolve sair da mesmice, o mestre-cervejeiro Samuel Cavalcanti transformou esta singela Milk Stout em uma Imperial Milk Stout – trazendo mais notas de torrefação a cerveja – e elevando ao máximo seu álcool.  Todo o processo durou 4 meses para chegar neste bela cerveja.

A Imperial Milk Stout teve lançamento na festa do 6º Concurso Nacional das ACervas. Foi uma das cervejas mais esperadas do concurso e que juntou filas no stand da Bodebrown para que os outros chopes pudessem ser terminados para que o barril de Milk Stout pudesse ser engatado. Como grande admirador de suas cervejas, pude ter a honra de engatar o primeiro barril de Imperial Milk Stout do Brasil – sem invejas e olhos grandes pra cima de mim, por favor.

Esta cerveja vem deliciosamente encorpada e com um creme super denso. Com aroma doce, leve café, madeira tostada, licor de chocolate e levíssimo herbal. Já na boca surpreende com alto dulçor, complementado com sabores de licor de café, chocolate, tostado e este álcool todo muito bem inserido neste conjunto e deixando o dulçor da cerveja mais redondo. Já no amargor, – identidade da cervejaria -leve  e  o sabor herbal do lúpulo. Na boca, surpreendente corpo, licorosa e enchendo a boca a cada gole com o álcool.

Como o inverno é a estação do ano em que viramos glutões, esta cerveja é excelente para sobremesas a base de chocolates e creme. E porquê não, também, acompanhar uma carne de caça com geléia?!

ESta deliciosa cerveja estará disponível em poucos bares do país. Aqui em Floripa estará na Academia da Cerveja e só estou esperando para poder me esquentar nesse frio que esta fazendo por aqui.Como disse antes, corra atrás dos bares que estão com esta belezinha e pare de #mimimi no twitter. SEgue abaixo os bares estão com esta relíquia:

Rio de Janeiro:  BeerJack
                               Boteco Colarinho

São Paulo: Empório Alto dos Pinheiros

Curitiba:  Cervejaria da Vila

Florianópolis:Academia da Cerveja

Além desta belezinha já destacada, a cervejaria ainda consta com a campeã WeeHeavy, Imperial India Pale Ale para esquentar este nosso frio. E como sempre,ela pode estar vindo com mais uma surpresinha para os nosso copos, aguardem.

VIVA LA REVOLUICION

Concurso Nacional – O dia mais intenso da cultura cervejeira brasileira

O cenário cervejeiro no Brasil esta tomando forma e isso pudemos ver neste final de semana. Nos dias 23 à 25 de junho aconteceu o 6º Concurso Nacional das Acervas, com o intuito de trazer informação técnica e de mercado para os cervejeiros caseiros do páis. Além do concurso de cervajas, rolaram palestras (como a já conhecida “Extra Malte” – projeto do “burgomestre” Sady – que contou com um bate-papo entre Juliano Mendes, Samuel “Bodebrown” e Arlindo Guimarães – três cervejeiros que geram muitos comentários no meio).

Outras duas grandes palestras foram com o designer e cervejeiro Randy Mosger, abrindo o campo de visão para se criar uma cultura cervejeira de renome.Relatos de ex- cervejeiros caseiros, hoje com suas cervejarias no mercado, mostram que o caminho que temos que percorrer é difícil, mas valioso.

Antes de iniciarem as palestras, recebemos a importante notícia que um Deputado Federal que esta criando no parlamento uma frente cervejeira para valorizar a bebida no país e, principalmente, mostrar que ultrapassa os limites de uma bebida simplesmente alcoólica, podendo ser também fonte de alimento e trazer benefícios à saúde tanto quanto o vinho ou, até mesmo, medicamentos fitoterápicos.

O ponto principal desse encontro ocorreu com a festa de encerramento e premiacão do consurso, mostrando a capacidade dos cervejeiros nacionais e o alcance que essa bebida poderá atingir. Como o evento contou com a parceria de grandes cervejarias (Dado Bier, Falke Bier e Bierland) e das ousadas Bodebrown, Season Coruja e Way, foi possível vislumbrar o que futuro reserva ao mundo cervejeiro, principalmente se observado sob a ótica das mais diversas e mirabolantes receitas dos produtores caseiros, que não decepcionaram ninguém.

Um único ponto negativo deve ser destacado. Como sempre, alguns problemas sempre acontecem, como imprevistos com chopeiras e barris – afinal, tratava-se de concurso e festa de cervejeiros caseiros, conhecidos como “professores pardais” da iguaria -, mas nada que não pudesse ser contornado com facilidade. O que mais me chamou a atenção e desagradou, contudo, foi a quantidade de cervejas “furtadas” durante o evento. Muitos se acharam no direito de poder levar uma “lembrancinha” pra casa – já que o evento inteiro era self service e com bebida à vontade.

Sobre isso, não preciso dizer mais nada, já que sempre preferi pedir – mesmo acabando por ser criticado por alguns -, do que passar pelo vexame de ser visto como “larapio” por conta de duas ou três garrafas que poderiam ser facilmente adquiridas por qualquer um dos ali presentes, principalmente se levado em conta que a inscrição para o evento apontava para pessoas com maior potencial aquisitivo.

Fora estes pequenos imprevistos – e desabafo, que talvez poucos entenderão e alguns se ofenderão -, o evento foi impecável e dará muito trabalho para as próximas sedes que irão recebê-lo.

Como disse no twitter: “Quem não veio ao 6° Concurso Nacional das ACervas perdeu um dos finais de semanas mais intensos da história cervejeira do país!”. Foi algo mágico e com certeza um dos melhores eventos que já rolaram desde que a cerveja passou a se mostrar valiosa aos brasileiros.

Nos dizeres do amigo Sady: “que a fonte nunca seque!”

Saúde para todos e Viva La Revolucion!

Categorias:Cerveja, Home Brewer

Cerveja por uma boa causa

Entre os dias 14 e 21 de dezembro você terá uma boa desculpa para driblar aquela sua mulher chata que o adora e se preocupa com sua saúde (vai nessa). Além disso, trazer seu lado Bono Vox – bom samaritado e defensor das boas causas – e participar da Semana Beneficente da Cerveja Artesanal. Tudo isso para mostrar que a cultura cervejeira está aí para boas causas e não somente para dar status aos que a apreciam.

A cervejaria artesanal Dum e seus confrades elaboraram uma grande idéia para este Natal. Numa conversa entre amigos, tiveram a idéia de fazer um evento beneficente a fim de arrecadar brinquedos, os quais serão doados para abrigos e crianças carentes. Como sabemos que brasileiro precisa de um incentivo para fazer uma boa ação, nada melhor que colocar na jogada uma das paixões nacional: a cerveja.

O evento ocorrerá da seguinte forma: cervejeiros artesanais e caseiros irão doar suas produções, que serão disponibilizadas em alguns bares de cervejas “especiais” – termo ridículo esse, já que só existe aqui, por estarmos acostumados com cervejas péssimas –  na cidade de Curitiba. Cada garrafa de cerveja deverá ser trocada por um brinquedo. Caso não tenha como levar um brinquedo, outra opção é pagar R$10,00 por garrafa Após confirmação e atualização dos organizadores, algumas medidas foram tomadas para a festa: cada garrafa valerá R$10,00 e este dinheiro será doado para a a instituição Natal do Adelar– a doação só valerá para as garrafas e bares que tiverem o selo da Semana Beneficente.

Esta é uma campanha muito legal dos cervejeiros artesanais, buscando mostrar que cerveja – como no livro, ainda não lançado, , “Cerveja e Filosofia” – é a causa de felicidades, paixões e boas ações. Parabéns ao pessoal de Curitiba. E você, que também é cervejeiro caseiro e acompanha o blog ou o twitter (@gastrobirra), procure o pessoal da @bodebrown ou @DumCervejaria e peça informações de como enviar suas produções até dia 13 (segunda-feira). Eu infelizmente não poderei participar, já que as cervejas produzidas só ficarão prontas durante o evento. Mas estou fazendo minha parte divulgando esta grande causa. E você, vai deixar seu lado Bono de lado ou abrirá mão de alguma de suas preciosidades e participará da causa?

PS: fui informado a alguns minutos que terá leilão da Eisenbahn São Sebá – já em falta no mercado curitibano – as garrafas foram doadas pelos produtores e autografadas. O leirão será nos bares Saaz, Realejo e Cervejaria da Vila;

Palmas para a cervejaria brasileira

Fiquei abismado com o que vi e provei no último sábado (27 de novembro) no Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau. O núcleo cervejeiro do Brasil esta realmente de parabéns.

Eduardo Passarelli

O Festival Brasileiro da Cerveja foi um evento que juntou, em um único local, micro-cervejarias, cervejeiros artesanais/caseiros, empórios dedicados à cerveja e restaurantes que têm como foco principal a bebida. Além disso, palestras gratuitas, como a do especialista em cervejas Edu Passarelli – que tivemos o prazer de acompanhar – discorrendo sobre Harmonização. Super atencioso com o público, até mesmo no momento que foi pressionado por Michele, a qual quis saber que cerveja seria ideal para acompanhar aquela massa instantânea chamada por mim de “Quinojo”.

O evento ocorreu dentro de um dos pavilhões do parque “Vila Germânia” – onde também é realizada a Oktoberfest. Temos que agradecer à “Vila Germânia” e prefeitura de Blumenau por serem tão representativas na cena cervejeira do país, propiciando ótimos eventos em prol da cultura.

Foi realmente algo absurdo o que aconteceu por lá: cervejas de vários estilos, métodos de produção e qualidade. Pudemos provar cervejas jamais vistas por aqui, como, por exemplo, uma Pumpkin Ale (estilo americano que é produzido para comemorar o  Halloween). Uma Imperial Stout, maturada por 6 meses com chips de carvalho de bourbon. Tudo isso produzido por cervejeiros caseiros, já que, infelizmente, só esses podem produzir algo assim, uma vez que que nossas “Leis” são tão ridículas sobre o assunto.

Logo que chegamos, fomos recebidos com muita gentileza – como sempre – pelo amigo Julio, do Empório São Patrício. Lá adquirimos a única breja não brasileira da noite: uma cerveja italiana – a famosa  Birra Baladin -, cuja linha foi feita em homenagem à família do cervejeiro. A degustada como café da manhã, acompanhada por um Fish and Chips do The Basement Pub, foi a Nora – em homenagem à esposa do mestre-cervejeiro -, cerveja com características marcantes de especiarias, corpo aveludado, licorosa e leve dulçor . Cerveja complexa, mas fácil de beber.

Pude provar, também, a Perigosa Double IPA, a primeira do estilo no Brasil. Super aromática – puxando para aromas como maracuja, bergamota, leve caramelado, lúpulo -, mas que em sabor acabou pecando, deixando um amargor cortante e reto, sem muita complexidade  de lúpulo.

Depois de muita conversa e o pit-stop feito, fomos até o estande da cervejaria Wäls, local onde tivemos as maiores surpresas do festival. Primeiro com a simpatia do Mestre-Cervejeiro José Felipe. Depois de muita conversa por twitter, avisei que estava no Festival e, assim que ele avistasse um cara de “3,00 m de altura” – nem é tanto assim, só 2,05m -, confirmasse que se tratava se mim. Assim que chegamos no estande,  “não precisa nem se apresentar”, dissem-me, puxou-me pelo braço e deu-me um forte abraço – aquele de amigos que há anos não se viam, sabe? –  dando risadas e dizendo que eu e @MicMX éramos alguns dos responsáveis pelo sucesso da cervejaria (como se a simpatia do cervejeiro e qualidade do produto já não fizessem por si só).

Após o puxa-saquismo dos dois, começou a degustação de suas belas cervejas. A primeira foi a FestWäls, uma Lager super leve, saborosa, refrescante, feita com dry-hopping e produzida com 5 lúpulos diferentes. Cerveja super aromática, fácil de beber e que, em minha opinião, deveria ser comercializada, sem medo de errar. Pudemos provar também a Quadruppel – preferida minha e da esposa -, a Trippel e a Dubbel, todas elas na pressão.

Os trabalhadores

Mas a maior surpresa f0i o presente trazido especialmente para nós (eu e Michele) e que tivemos o privilégio de ser dos poucos a provar:  a aclamada Wäls Brut. Uma das 4 cervejas no Mundo feita no estilo champanoise. Produzida com todo carinho pelo Felipe, feita a remuage duas vezes ao dia, sempre no mesmo horário. Cerveja fantástica em aroma, sabores e textura. Essa eu vou deixar vocês com água na boca, pois terá um post dedicado somente para ela – deixo vocês somente com os trabalhadores, que estão deixando está cerveja fantástica.

Ainda tive a oportunidade de provar uma Dubbel fresquinha, aberta especialmente após reclamação de nunca tê-la provado em sua qualidade. Provei e virei fã imediatamente, batendo lado a lado com a Quadruppel. José Felipe explicou que nunca havia provado esta cerveja em sua real qualidade, já que em sua produção há uvas-passas e, chegando aos mercados, não há o devido cuidado que ela requer, acabando por deteriorá-la. Triste isso, mas uma realidade brasileira: o descaso com os produtos alheios.

E foram mais alguns choppinhos e cervejas por conta de José Felipe. Uma ótima conversa e que me deixaram surpreendido com o amor que ele tem com suas cervejas, chegando a brigar com o irmão Thiago – que quer logo ganhar mercado, enquanto José prima pela qualidade. Ponto para o Zé. Ele me deixou intrigado com uma coisa e que tive que concordar: ” Brasil está criando caçadores de defeitos! Sempre tem uma coisa errada, nunca esta bom”. Infelizmente isso não é somente no Mundo da Cerveja e sim em  tudo. Brasileiro tem o prazer de dizer que aqui tudo que se faz é ruim. Defeito de quem não tem capacidade de chegar aos pés daquilo em que coloca defeito.

Michele ficou encantada com tudo o que viu e disse agora ser realmente fã de cervejas. Disse que sou o culpado e agora realmente vê que a qualidade e o amor que temos com nossas cervejas supera qualquer crítica pessimista sobre o assunto.

Tirando essa triste realidade brasileira, há muitas cervejas, algumas inferiores, sim, mas outras se mostrando surpreendentes. O Brasil está de parabéns, mostrando que, com parceria, humildade e simplicidade, é possível se criar uma cultura forte e resistente sobre o assunto. Logo essa cultura mostrará que queremos, sim, é qualidade e não quantidade – como dizem algumas publicidades.

Fotos by @MicMX

Harmonia Caseira: Strudel de Pêra caramelisada com Mel e BierLikör e Oicle DoppelBock

E a batalha para uma cultura cervejeira no Brasil continua. Desta vez, começo aqui a seção “Harmonia Caseira”: uma mescla da melhor comida de todas – a caseira – e uma das formas mais democráticas de se fazer cerveja, em casa.

Esta seção tem o intuito de divulgar os cervejeiros caseiros, que no Brasil, infelizmente, são pouco valorizados; mostrar a diversidade da criatividade e enfatizar que, mesmo sendo produzida em casa, com pouca acessibilidade de produtos e tecnologias, podem sair cervejas e estilos jamais vistos.

Este ritual do cervejeiro caseiro acontece desde a antiguidade, mas quem comandava as panelas na época eram as mulheres. Elas tinham o dever de produzir cerveja para a alimentação da família – sim, você leu bem, ALIMENTAÇÃO -, já que é uma bebida rica em vitaminas e proteínas.

Após muito tempo esta função passou para os homens, mais especificamente aos padres, em Mosteiros por todo o mundo. Com eles a disseminação da cultura cervejeira e a melhoria da bebida foram as chaves para o que hoje conhecemos da cerveja (isso antes do mercado de massa acabar com elas).

Depois de tantos anos esquecida, a cultura de se fazer a bebida em casa voltou. E um dos grandes princípios desta prática é: se não tenho bebida boa no mercado, faço a minha própria cerveja. E com esse pensamento a pratica foi ganhando cada vez mais adeptos e hoje é uma grande modinha mania mundial.

No Brasil, a cultura de cerveja caseira é curta – como já postado aqui -, mas a cada ano o crescimento anda a galopes. E o preconceito não tem mais vez nessa ritual: as mulheres voltam as suas origens e ganham o respeito merecido em meio a tanto marmanjo.

Voltando para a seção iniciada neste blog, o intuito é mostrar que se pode fazer a própria cerveja em casa, com a valorização e maestria das grandes bebidas.

O primeiro a participar desta seção é o cervejeiro Elcio Martins, aka.Cervejaria Oicle, aqui mesmo de Florianópolis e que se apaixonou pela arte há poucos anos, desde 27/12/2008 (data em que inicou a produção de sua primeira cerveja).

Ele conta que começou a fabricar sua própria cerveja após uma conversa com um amigo do Paraná, o qual comentou que o sogro fazia a própria cerveja em casa. A curiosidade falou mais alto e, a partir disso, foi atrás de cursos de especialização em cerveja.

Elcio relata: “Passei a ler muito e fui fazer um curso no Rio e no dia 27/12/2008 fiz a minha primeira cerveja, que ficou horrivel.” Ele não se deixou abalar. Sua próxima brassagem foi para um concurso no Rio de Janeiro e acabou levando o prêmio no estilo livre, com uma Stout.

Já foi muito interessado por vinho, mas sua paixão hoje é pela cerveja e, por essa paixão, doou dois exemplares de suas cervejas – uma Red Ale, que ficará para outra oportunidade, e uma Doppelbock -, sendo que a segunda tive o prazer de abrir e harmonizar, sempre com a ótima companhia da namorada/esposa e fotógrafa do blog, neste último feriado.

O líquido precioso foi muito bem com um Strudel de pêra caramelada com mel e BierLikör. Para muitos pode parecer estranho essa combinação, mas como estamos falando de cerveja caseira, o cervejeiro pode dar o toque que quiser na bebida.

A Doppelbock geralmente é uma cerveja mais forte, com bastante presença de malte, sabores achocolatados e tostados. Sua graduação alcoólica é sempre muito elevada: sempre na faixa dos 10% ABV.
Já o exemplar doado tem notas mais amadeiradas, carameladas, bastante presença de malte, leve álcool (que fica mais presente e redondo com o doce do strudel) e quase nada de amargor. Apesar da presença de álcool no sabor, ela tem somente 7,9% ABV, quase uma bock normal.

Pelas suas características, combinou muito bem com o Strudel, principalmente por levar mel, já que complexidade de seu sabor se encaixa muito bem com a força do malte e caramelado presente na cerveja.
A leve presença do BierLikör – licor de cerveja – bate bem com o leve corpo licoroso da cerveja e até mesmo com as notas leves de madeira e chocolate, presentes nas duas bebidas. Os ingredientes usados nesta cerveja foram Malte: pilsner, vienna, munich, caraaroma e melanoidina Lupulo: Hallertauer e Saaz Fermento: S-23

E é com esta bela Doppelbock, de cor marrom avermelhada, com os marcantes sabores já descritos aqui, que inicio esta batalha cervejeira.
E como o intuito é mostrar comida fácil, mostro que este Strudel, apesar de parecer complexo, é muito simples.

Receita:
Ingredientes:
300g de massa folhada
3 Pêras grandes
200ml de mel
75ml de BierLikör (pode trocar por conhaque)
½ limão siciliano
Q.B Uvas passas
Q.B Farinha de rosca
Q.B Castanha de Caju triturada
Q.B Canela em pó
Preparo:
Corte as pêras em lâminas finas. Esquente uma frigideir. Derreta o mel. Junte a pêra e o BierLikör. O líquido da pêra ira se soltar. Junte o suco de meio limão siciliano e deixe cozinhar até a pêra absorver todo o suco de volta e dar uma leve caramelizada.
Reserve a pêra e deixe esfriar.

Abra a massa folhada, espalhe um pouco de farinha de rosca no centro e largura da massa.

Espalhe a pêra já fria, a castanha, canela e a uva passa.
Feche a massa, dê uns pequenos cortes nela e pincele gema na parte de cima;
Leve ao forno a 200C° por 35 a 40 min.
Pode servir com sorvete de creme ou chantilly

Fotos by @MicMX