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Vivre pour Vivre: a #AlmaBrasileira

Como muitos já devem ter lido e acompanhado, eu e a namorada passamos uma semana na “Meca Brasileira da cerveja” – aka Minas Gerais. Além de visitas aos melhores pontos cervejeiros, como a Wäls Cervejas Especiais, falecido Frei Tuck e Rima dos Sabores – em breve harmonização dirigida com pratos meus e do chef da casa, Juliano -, tivemos o privilégio de conhecer a Cervejaria Falke Bier.

Com uma degustação/harmonização direcionada por Marco Falcone, pudemos experimentar as mais belas combinações de suas cervejas com queijos, como, por exemplo: Falke Pilsen com queijo Minas – o verdadeiro, não aquele soro que compramos no mercado -; Estrada Real IPA com queijo Estepe – excelente -; Falke Ouro Preto com Gorgonzola – uma das sensações mais extraordinárias que já tive -; e Monasterium com queijo Brie e Damascos – sensacional. Além destas, tivemos o prazer de experimentar as novas Diamantina – Bohemia Pilsner -, Villa Rica – Dry Stout – e Estrada Real Weiss.

Após toda essa degustação, ainda tivemos o prazer de degustar a aclamada Vivre pour Vivre. Provamos o primeiro Lote, que saiu antes do lançamento na Brasil Brau – maior feira de tecnologia cervejeira do país.

A Vivre é uma cerveja que nasceu do erro de uma das mais especiais cervejas brasileira: a Falke Monasterium. A partir de um feedback de clientes, constataram que a cerveja havia sido contaminada por bactérias lácteas, deixando-a com acidez elevada. Ao constatar tal problema, foi retirada do mercado e ficou maturando por mais três anos. Em seguida, feitos testes de segunda fermentação com diversas frutas, mas buscando algo diferente de tudo que temos em  fruit beer’s. Ao final, a fruta escolhida foi a brasileiríssima jaboticaba. Com a adição dessa fruta, foi criada uma Sour Ale/Fruit Beer – cervejas de caráter ácido e forte característica de fermentação no sabor e aroma – com 4,5% ABV.

A Vivre pour Vivre – leva este nome em homenagem ao filme de Claude Lelouch – é uma das cervejas mais facinantes que pude experimentar até agora. Com características da cerveja base – tripel – e a junção da fruta criou algo jamais sentido em nosso paladar, até mesmo para os mais treinados. Isso acontece em razão de algumas pessoas não terem a memória gustativa da jaboticaba ou, principalmente, da própria Monasterium. Uma cerveja muito refrescante, com um ótimo e constante perlage. No aroma pode-se sentir notas de laranja, coentro, leve lúpulo, acidez, jaboticaba (claro), mel e fermento. No paladar, as notas encontradas no aroma se intensificam, aliadas a um corpo médio e carbonatação alta. Simplesmente uma cerveja espetacular e uma das melhores que temos hoje no mercado brasileiro. Essa cerveja foi harmonizada com a música tema do filme e a companhia de amigos.

Mas nem tudo são rosas. Ao ser lançada em julho, na Brasil Brau, a cerveja assustou – para alguns, não para mim que fui saber o porquê do preço – com, nada mais nada menos, que R$200,00. Como sempre tiveram reclamações de que era muito para uma cerveja brasileira – vamos parar com o preconceito de que o que é nacional deve ser barato – e outros tantos #mimimi’s.

A quem interesse, irei explicar aqui, parcialmente, o porquê de esta cerveja estar a esse preço:

Por estarem trabalhando com bactérias lácteas – bactérias que estão no ar e se espalham com facilidade no ambiente – e, portanto, não são bem vindas em qualquer outra cerveja, a fabrica foi fechada por cerca 15 dias – nenhuma cerveja é produzida durante isso – para engarrafar e fazer assepsia de todo lo local, garantindo que não haveriam contaminações posteriores. Antes mesmo de se adicionar a fruta, a cerveja tem como base uma cerveja de alto custo e que ficou parada na cervejaria por TRÊS anos em ambiente climatizado. Ou seja, tem-se um produto engessado e que não trará lucro nenhum para a cervejaria por longo período. Além disso, 60% de toda produção da Vivre foi descartada, isso tudo por ter a existência de taninos na fruta e não serem bem vindos em uma cerveja.

Além de todos esses percalços, a cerveja tem somente 6 meses de validade. Isso decorre da estabilidade da cerveja, que traz turvidez e mudança de cor com o passar do tempo. Ao estabelecer uma data de validade tão curta, para uma cerveja tão complexa e especial, os desavisados poderão achar que esta cerveja esta estragada e acabar por ficarem paradas nas gôndolas das casas especializadas.

Não saberemos se esta cerveja irá ser produzida novamente. Mas se for, serão quatro longuíssimos anos que deveremos esperar. Para quem ficou curioso e tem muita vontade de experimentar, a Mamãe Bebidas ainda tem algumas poucas garrafas. Mas, antes de comprar, pergunte-se: “valerá muito comprar essa cerveja?” Eu digo que sim. Se sua resposta for não, junte-se com quatro amigos e divida uma das 7 maravilhas cervejeiras que temos no Mundo. Uma boa cerveja sempre deve ser divida com um amigo ou alguém especial.

Fotos de Michele M. Xavier

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  1. 03/08/2011 às 21:57

    Foi muito bom te-los aqui nos prestigiando, mesmo que num breve encontro no FT! Abração pro casal

    • 03/08/2011 às 22:58

      Obrigado Alencar. Foi muito boa a visita e a companhia!abraços

  2. 03/08/2011 às 22:15

    Gosto da ideia de se fazer do limão, uma limonada. Mas vamos deixar bem claro que, para uma cerveja que tinha se perdido completamente, tinha estragado, a adição de jabuticaba não é suficiente para justificar tal preço. Admiro o Falcone e todo o seu trabalho, mas esse preço não é condizente com o discurso de criação de uma cultura cervejeira no Brasil. Abraço!

    • 04/08/2011 às 0:00

      Concordo contigo Fabian wdo diz amq uma colocar uma frutinha não é justificativa, mas se fosse só isso tudo bem. São técnicas, cuidados, estudos e muitos testes. Posso fazer uma comparação besta, mas vc como estudante de direito, acha certo cobrar 50.000 no mínimo p derfender uma pessoa? Ou então 12.000 no mínimo pra se ter uma falcudade? Isso fez as pessoas perderem ou não terem cultura?
      Essa pode ter sido só salvar uma cerveja, mas depois essa cerveja pode ser produzida normalmente, principalmente se tiver essa levedura estiver constante no ambiente.
      E como disse a Michele, cultura não se faz com preço mas, sim com qualiade e ensinamentos.
      Se for pensar no preço, vinho deveria custar no máximo 50reais – já que é só uva, água e levedura – gastronomia deveria ser de graça.
      Entendo sua preocupação com preços, mas essa é uma cerveja para poucos e concordo com isso.
      Portanto, os 200 estão muito baratos.

  3. Michele M. Xavier
    03/08/2011 às 23:21

    Foi muito bom ter tido a oportunidade de provar todas as cervejas da Falke, ao lado de dois dos proprietários, principalmente a Vivre!
    Pode ser porque não paguei pela cerveja, mas lendo o comentário acima, sobre o preço, só consigo pensar uma coisa: cultura cervejeira se faz com qualidade, não com preço! Só olhar a cultura do vinho no Brasil e no mundo!
    Agora, quem não pode, não compra! Ponto!
    O fato de não estar disponível a todos – até porque são pouca as unidades – não retira seu mérito para a cultura cervejeira! É uma cerveja super exclusiva e que teve um custo muito maior do que os 200 pilas cobrados.
    Mas eu também não entendo nada de cervejas, então vou voltar para os meus a achismos no meu blog que é o que me cabe!

    • 04/08/2011 às 20:20

      Desculpe, Guilherme e Michele, mas as comparações não podem ser consideradas argumentos nesse caso. São apenas as opiniões de vocês que eu respeito, apesar de não concordar. Fica o compromisso de voltar a discutir sobre a Vivre e seu preço quando sair a segunda leva da mesma, com a mesma qualidade (que eu não poderei atestar, pois não comprei, não comprarei e, provavelmente, não ganharei a cerveja). Se o Falcone repetir a cerveja, pode cobrar o quanto quiser. Enquanto isso, ficarei com a impressão de ser apenas uma cerveja que estragou e foi reciclada.

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