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Profissão Cozinheiro

Entro em um site de notícias, abro um jornal ou ligo a TV e vejo as manchetes: “Aumenta o número de empregos no Brasil”; “Taxa de carteiras assinadas aumenta 5% desde 2009”.
Cada vez que leio uma reportagem dessas me pergunto: Será que esses novos trabalhadores estão qualificados para entrar no mercado de trabalho?

Em grande parte da Europa, e países ditos de 1º Mundo, só é possível se entrar no mercado de trabalho formal quando se possui qualificação para tanto. Na Alemanhã, por exemplo, um cozinheiro somente assim pode ser chamado quando possui curso para tanto e diploma. Sem esses dois requisitos mínimos nem se coloca os pés dentro de uma cozinha.
Aqui no Brasil a realidade é um pouquinho diferente.

Outro dia vejo um “tweet” de uma nova escola de Gastronomia em Florianópolis. Como de praxe, entro no site e me deparo com o seguinte curso: “Chefe em Alta Gastronomia”. Então me pergunto mais uma vez: será que as pessoas sabem para que serve um Chefe de Cozinha ou, melhor ainda, será que sabem para serve uma faculdade e/ou diploma?

Fico decepcionado cada vez que entro em um restaurante, e vou até a cozinha conversar com o dito “Chef de Cozinha”, e ele nem sequer tem um curso profissionalizante na área que atua, mesmo sendo este uma das formas menos rigorosas de acesso ao ensino “superior” neste País.

Pergunto para o “Chef” como começou a cozinhar e ele me responde que veio do Nordeste, atrás de emprego; como era um cara batalhador, acabou entrando em uma cozinha como Steward (limpeza) e, por ser um rapaz esforçado, acabou virando “Chef”. Não tiro o mérito desse trabalhador, já que, infelizmente, no País em que vivemos é assim que se consegue ser “alguém” na vida. Mas sendo essa uma das únicas escolhas que se lhe apresentam, daí decorrerá a desvalorização da profissão, difundida, portanto, arraigada em preconceitos. Por essa e outras razões que nosso Governo “opta” por valorizar a ausência/desnecessidade de diplomas e cursos para “ser um profissional”, medida muito mais fácil e barata do que o investimento na qualidade de ensino no País.

Algumas pessoas irão ler este post e achar que estou sendo extremamente radical. Minha pergunta para tais é: vocês gostariam de ver pessoas não qualificadas se dizendo médicos, advogados ou professores? Tenho a absoluta certeza que a resposta será um “NÃO” em caps lock e em negrito.
Por isso sou um grande defensor de que, para entrar no mercado de trabalho, pelo menos um curso profissionalizante deve se ter no curriculo. Na medida que o profissional for aperfeiçoando seu conhecimento, maior será seu cargo e, por decorrência, sua remuneração.

Estou cansado de ver “Chef de Cozinha” dizer que entrou na profissão por “dom” ou por seu esforço – que é válido, por certo, mas insuficiente. Os tendo, parabéns! Mas que esses pequenos méritos se complementem com o conhecimento. Não adianta ser “Chef bordado no Dolman”, se não sabe nem o porquê da cocção de uma carne mais rígida levar horas para ficar pronta. Ou porque um prato tradicional leva tal nome.

A história, a química dos alimentos, a gestão, a prática, e, por último mas não menos importantes, o mérito e o dom vão fazer de você um grande profissional. Mas limitar-se a um fictício “status” é, infelizmente, o que se vislumbra dessa profissão. Chef de Cozinha precisa de formação para poder honrar o função que exerce.

Photos by Michele Meiato Xavier (@MicMX)

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Categorias:Uncategorized
  1. Mohammed Haziz
    09/07/2015 às 12:12

    Assalamu Waleikum amigo gastronômico…pois é, quando vejo noticias como essa a de se perguntar por que? Bom,imagine, em 92 fui ex-militar do EB e fui rancheiro pé de banha (cozinheiro maldito) e pelopeiro (caveira do EB), adorava o que fazia, cheguei a fazer anos mais tarde 2o cozinheiro,não fui para um hotel pois o salario era metade do que um porteiro na época em 2006. Me tornei anos mais tarde vigilante patrimonial, fiz diversos cursos, me tornei um sub comandante de guarda mirim em 2009 numa ONG, e 2013-2014 fiz 9 meses curso a distancia internacional da Peace Operations Training Institute-EUA, o Instituto de Treinamento de Operações de Paz, foram 73 cursos (em 5 idiomas-Inglês,Frances,Espanhol,Portugues e Arabe) com cada curso que tinha 300 paginas para estudar e cheguei a ter inflamações no nervo ciático de tanto ficar sentado e me aplicava injeções em mim mesmo para se manter no trabalho de vigilante (sendo que fiz 3 anos de enfermagem mas abandonei-2002-2007 idas e paradas), e hoje com 146 certificados internacionais e mais alguns por ai somos tratados como “Vigilantes lixos”como já ouvi de certos clientes dos postos. E para piorar participei de uma solenidade militar em 2014 quando já representava o Brasil nos EUA como Guarda Mirim, e vi pessoas que faziam parte dos direitos humanos de relações internacionais que nunca ouvi falar ganharem medalhinhas e alguns guardas municipais da cidade e seu nome nem ser anunciado…Me senti muito triste com isso pois percebi que ali eu não era nada,pois representava o Brasil e as criancas das guardas mirins no Instituto de Paz um bracinho da ONU e nem sequer mencionaram meu nome por eu ser muçulmano brasileiro. Uma pouca vergonha esse Brasil. Mas nao desisto e posso te dar uma dica Michele? Quem valoriza é nós mesmos, quem deve fazer o marketing pessoal é nós mesmos, quem deve se vangloriar com todos os ensinamentos é nós mesmos, e ter amigos fieis que possam trocar informacoes e fazer marketing pessoal um dos outros. Isso sim…Um ajudando o outro para crescer e fazer nome e nao depender daqueles que só pensam em seus umbigos. Nao devemos desmerecer jamais nossos colegas seja cozinheiros, seja porteiros, seja vigilantes, pois a midia gosta de zombaria, mas nós devemos fazer por onde,buscar ser reconhecido, voce tem um valor grande para sociedade como chefe de cozinha e o que devemos fazer é estudar,estudar,estudar mais e mais pois mesmo que nao tenhamos dinheiro uma coisa teremos….conhecimento é poder! Que a paz de DEUS esteja convosco e familia!

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